A ALDEIA
Do alto do Cerro, no aconchego da sua ermida, a Nossa Senhora da Candosa, parece observar a mais bela das vistas da freguesia.
Ao invés, a vista do Sotam Country House para o mesmo Cerro, não deixa de ser também deslumbrante, sobretudo ao pôr do sol ou em noite de Romaria à N. Senhora da Candosa.
A freguesia a que nos referimos, Vila Nova do Ceira, é uma tranquila e agradável freguesia do concelho de Góis, composta por um pequeno aglomerado de “lugares” entre eles a Murtinheira, onde o Sotam “habita”.
A freguesia é atravessada por dois rios, o Ceira e o Sotam, os quais confluem num ponto muito próximo do Sotam Country House, o famoso Cerro da Candosa, um desfiladeiro talhado pelas águas através do rochedo (Cabril), um local quase idílico.
Aqui, o visitante tanto poderá apenas contemplar a deslumbrante paisagem, como mergulhar nas límpidas águas do designado “canhão” com 150 metros de profundidade ou ainda, para os mais radicais, tentar a escalada das “cristas quartzíticas” desta Cordilheira xistosa.
Associado à origem desta paisagem tão característica não podia deixar de existir uma lenda, a “Lenda do Cerro da Senhora da Candosa”.
Num passeio pela região o visitante poderá ainda apreciar as fortes marcas da glaciação de há milhões de anos atrás, de que são ilustrativos, os grandes pedregulhos redondos e as autênticas “dobras” existentes nas rochas que povoam as montanhas e as margens dos rios.
Nos vales ao longo dos rios cultiva-se milho, vinhas e sobretudo azeitona. As encostas do vale são íngremes predominando uma mistura de pinheiros e eucaliptos.
Numa qualquer esquina da povoação, o visitante poderá ainda encontrar um burro puxando um carro carregado com produtos agrícolas ou observar bois a trabalharem as terras.
Mas não apenas de rusticidade vive a localidade, pois para quem deseje tomar um refrescante banho no rio Ceira, a praia fluvial das Canaveias, espaço devidamente modernizado e dotado das comodidades e serviços necessários, surge como o ponto de lazer mais procurado durante a época de verão.

Image title


Vista de Vila Nova do Ceira

A freguesia de Vila Nova do Ceira mantem-se ainda bem povoada e dinâmica, com uma tradição cultural bem vincada.

Não se pense também em serões monótonos nesta pequena aldeia beirã, pois o turista poderá agradavelmente participar nos frequentes eventos promovidos quer pelos Ranchos Folclóricos “As Sachadeiras da Várzea” ou “Os Mensageiros da Alegria”, quer pelos “Grupo de Violas e Cantares de Vila Nova do Ceira”, “Grupo de Músicas e Cantares da Várzea” ou “Grupo de Teatro Geração Varzeense”, entre outros.

E, não estranhe o visitante se ouvir uma língua diferente da da terra, pois, provavelmente, será a de algum dos ingleses que vivem na aldeia, comunidade que tem vindo a adquirir e restaurar diversas casas antigas da freguesia.

Image title


Praia das Canaveias


Lenda do Cerro da Senhora da Candosa

No tempo em que os Mouros andavam por estas terras, vivia nas Várzeas um mouro convertido ao cristianismo. A sua vida de abundância e tranquilidade atraiu a inveja de outros mouros, que tentaram todos os meios para se apoderar destas terras.
Não o conseguindo pelas armas, tomaram a decisão de o afogar, alagando a região. Mobilizaram toda a população das terras situadas até 20 léguas em redor. Do amanhecer ao pôr do Sol trabalhavam, sem parar, para tapar o rio no buraco do Cabril. As águas foram desviadas para a encosta mais sólida, e enormes pedras, deixadas de lado para as tapar quando a muralha tivesse já atingido boa altura. Enquanto os homens faziam o trabalho das paredes, as mulheres e as crianças acarretavam cestas de terra dos montes vizinhos para taparem bem as frestas entre as pedras.
Quando já faltava pouco para o trabalho estar conduído, uma manhã o mouro chegou para recomeçar o trabalho e viu a parede destruída. Sem perceber o que poderia ter acontecido, voltou ao trabalho e reconstruiu a barragem. Trabalhou-se durante cerca de um mês.
Certa noite, o mouro teve um sonho em que via o paredão destruído de novo. Acordou sobressaltado e foi ver. Era verdade! A muralha desaparecera.
Voltou tudo ao início, com cuidados redobrados.
Certa noite, estava a obra quase pronta, teve outro sonho no qual via uma Senhora, num burrinho, em cima da muralha, com um capuz na cabeça. Conforme o burrinho ia andando, as pedras desapareciam e a muralha desmoronava-se.
Acordou de repente e correu para a muralha. Lá estava a Senhora do sonho, em cima do burro. Conforme ia andando, estendia as mãos, e as pedras desapareciam no fundo do vale.
Tentou correr para a Senhora, mas não se mexeu, Os pés não saíam do sítio e os braços não se erguiam.
E a Senhora lá ia... toque-toque!, no seu burrinho, cujas patas ficavam gravadas na rocha, onde ainda hoje se podem ver.
Assim que conseguiu mexer-se, procurou os vigilantes, que lhe contaram que uma Senhora muito linda e resplandecente havia libertado os prisioneiros e partira no seu burrinho.
Mas o mouro era teimoso e voltou ao trabalho. Sempre que a obra estava quase pronta, lá vinha a Senhora do capucho, e zás...! ia tudo abaixo.
Por fim, o mouro compreendeu que nada conseguiria fazer e foi ter com o mouro que queria destruir e pediu-lhe tréguas, já que tão bem estava protegido por Deus. Converteu-se e, em conjunto, construíram, no alto do cerro da Candosa, uma capela.”

In FRAZÃO, Fernanda Passinhos de Nossa Senhora - Lendário Mariano












SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER

enviar

Facebook Instagram Youtube